Tempo de embarcar
Já navegar
Tempo de embarcou
Já navegou
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
O destino é inexorável.
Ou algo assim. Talvez nem tanto destino, mas o tempo. Mais do que não pára, não tem volta. Talvez nem importe, afinal já foi.
Se importar, o que fazer?
Voltar no tempo não dá. Olhar pra trás, só por olhar, não conforta. Até entorta, por tudo que deixou de ser. Olhar pra trás, de forma diferente.
Olhar para o presente, que um dia vira passado. Isto, de certa forma, nos dá a possibilidade de controlar o passado.
Mas então vem outro problema. Afinal, não sabemos o futuro e não prevemos o olhar que teremos sobre o presente, que será passado.
Difícil fazer escolhas assim.
Confusão de dimensões temporais e impotência sem solução. É como disse Toquinho “O futuro é uma astronave que tentamos pilotar, não tem tempo, nem piedade, nem tem hora de chegar...” e um dia tudo isso descolorirá.
Pessoas perdem as cores, ações perdem as cores, vidas perdem as cores. Pintamos quando queremos, com as tintas que temos, mas nenhuma tinta dura.
"O mal definitivo é que o Tempo se esvai continuamente e que existir envolve eliminação. Tudo desaparece: alternativas excluem". John Gardner, Grendel.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Divina Comédia

Inferno
Quarto círculo.
Na chegada ao quarto círculo Dante avistou uma máquina, feita em metal, com janelas de vidro das quais saiam braços daqueles condenados. Para chegar à seu destino, este deveria ser o transporte utilizado. Mas antes de entrar, Dante esperou com aqueles que eternamente aguardam sua condução no local de embarque. Saramago explicou a Dante que estas almas são das pessoas que durante a vida, de alguma maneira, aguardaram pacientemente por serviços mal prestados. Entre estes tolerantes estava um senhor, Seu Jorge, que como todos, esperava. Começou uma conversa com Dante contando não entender sua situação, porque tanto sofrimento neste inferno já que durante a vida fora tão paciente. Dante ficou penalizado com tanta espera, já estava no ponto a mais de uma hora. Uma pessoa esboçou uma reclamação, Seu João prontamente retrucou, chamando o reclamante de chato e criador de caso. Alguns outros acompanharam Seu João fazendo troça com o pobre que ousou timidamente reclamar. Neste momento passou um ônibus, era a condução que deveria levar Seu João e todos os que o acompanharam reprimindo aquele que ousou não ter tanta boa vontade com a empresa responsável com este castigo infernal. Fizeram sinal, como quem chama o transporte, e este passou direto. É o castigo dos que são mais do que pacientes, dos que reprimem o descontentamento latente com maus serviços, contou o guia de nosso herói.
