terça-feira, 3 de março de 2009

Blogosfera e identidade Parte I


數位時代雙週刊108期 Blog Map, upload feito originalmente por vista.

Notas sobre blogosfera e identidade.


Há alguns dias surgiu para a mim a questão dos blogs e sua relação com identidade. Ocorreu durante uma conversa, via msn, e acabou descambando para outra questão, aquilo que Bauman chamou de relacionamentos líquidos. Misturamos no debate a valoração das relações virtuais, baseadas em avatares digitais de todos os tipos, até mesmo os de msn que usávamos naquele momento. Mas tudo estava saindo de maneira meio confusa, misturada, pelo menos é o que me parece agora. No final ficou aberta a pergunta sobre ser ou não boa a intermediação feita pelo mundo virtual.

Refletindo, tentei separar em partes o que debatemos, na forma que já esbocei acima. A separação me serviu para responder a pergunta, pois vejo valores diferentes nestas partes.

Escrevo aqui sobre a primeira das questões, blogosfera e identidade, mas com um tom axiológico.

A criação de blogs e perfis em comunidades virtuais passa pela busca de identidades, um também que possibilite ao indivíduo se definir e localizar socialmente. Características compartilhadas e que podem ser expostas democraticamente, desde que se tenha acesso à rede, sem imposição de limites ou controle, aparecem. Vale tudo, religião, esportes, até o que é considerado ilegal, imoral e ilegítimo encontram espaço na internet. As instituições, como o Estado, apesar das tentativas, não controlam as informações que atravessam a rede, de uma máquina para outra. A internet está nas mãos do povo, é o verdadeiro governo do povo. Talvez, entre todas as comunidades que usam a internet na busca de identidade, a dos nerds tenha sido a mais beneficiada.

Aquele que se expõe na internet o faz virtualmente, se quiser, pode se proteger no anonimato. Mas, mesmo que não seja dessa maneira, existe uma proteção dada pelo espaço que separa o mundo virtual do mundo palpável que chamamos de real. Assim, aqueles que poderiam ser de alguma forma perseguidos, não o são. Os tímidos têm seu lugar onde não precisam mostrar-se. As idéias circulam independentemente dos rostos que as propagam, são mais importantes do que os corpos, mesmo quando são referentes a estes. Não existe vergonha na internet. Gordinhos que na rua poderiam ser apontados como fora de forma (mas de que forma?), virtualmente podem ter seu público, encontrar seus iguais em idéias sem que dedos virem em suas direções, definindo-os com identidades impostas, muitas vezes pejorativas.

Não quero com isto dizer que estes dois universos, o “real” e o virtual, não têm contato. Pouco tempo atrás fui a um encontro de trocadores de figurinhas, colecionadores de álbuns. Todos ali se conheceram pela internet, através de um fórum. Era um evento “real” baseado em relações virtuais, no qual todos se identificavam pela paixão aos álbuns. Havia os mais experientes nestes eventos sociais que solicitamente ajudavam os calouros (eu). A experiência foi interessante, todos foram muito simpáticos e o contato virtual prévio realmente teve reflexos positivos. Em outra escala, a Campus Party faz a mesma coisa, une pessoas ligadas pelo mundo virtual. Lembro de um amigo que, ao assistir ao filme 300, presenciou uma flash mob. De repente, uma grande quantidade de pessoas gritou, ao mesmo tempo, quando o filme estava para começar “This is Sparta”.

Continua...



Bruno Castro, 01 de março de 2009.

Alegria


My Favorite Book Shop -2, upload feito originalmente por Lochaven.

Alegria de historiador é estranha mesmo. Passei um dia feliz no meio de fichas velhas, muitas, pra achar meia dúzia de possíveis imagens úteis.
Proveitoso?
Bastante.
O lugar era a Biblioteca Nacional. Impossível não gostar. Faz parte do ofício. Horas de procura, de ficha em ficha, em cada descrição, anotações e a cabeça quebrando para pensar em alguma palavra-chave que traga uma luz.
No caminho sempre esbarramos com coisas interessantes. Cheguei a um livro escrito no século XVII, só editado em 1903. Um elogio aos pernanbucanos, dedicado ao então rei de Portugal, Dom José I. O livro lista os atos de bravura de pernanbucanos e os ilustres de capitania. Muitos, tantos que não consegui achar quem eu procurava.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Uthred

O destino é inexorável. Talvez alguns já tenham lido esta frase várias vezes, proferidas por Uthred de Bebamburgh, ou Uthred Ragnarson. Parece ser a frase preferida do personagem que me carregou a reflexões sobre as circunstâncias e o tempo. Sobre as amarras da vida, muitas das quais nós mesmos damos os nós. Sobre o curso das coisas, que as vezes conseguimos antecipar, e que na maioria só percebemos depois, com olhar retrospectivo e impotente. Bernard Cornwell faz muitas coisas bem dentro de um livro, mas isso é ótimo nesta saga. O personagem preso ao seu tempo, às escolhas que faz em um mundo que não controla. Os laços que envolvem o personagem nestas escolhas, sempre limitando as mesmas e ocasionando renúncias.
Claro, no meio disso tudo, paredes de escudo, duelos e o sangue de combates com espadas contados de forma crua.
Espero ter feito justiça em relação ao título de uma postagem anterior, afinal ,Uthred não foi citado. Leiam o Livro, vale muito a pena, se é que é pena.
Fica uma crítica, ao contrário de "Em busca do Graal" e "Crônicas de Artur", este livro não é uma trilogia. Quando comecei o terceiro volume estava tranquilo e feliz por acreditar que finalmente Bafo de Serpente seria instrumento da vingança de Uthred. Não aguento mais a angústia para saber o fim desta saga.
Fica uma curiosidade morta. Abaixo coloco uma foto e uma imagem do Google Earth de Bebamburgh, atualmente chamada de Bamburgh.

Tempo é vapor


Layers of Clouds, upload feito originalmente por alsay.

O tempo não pode ser preso, escapa pelas frestas.


Agradeço a Beatriz por essa lembrança.

Mais sobre o tempo



Nem todo tempo é sólido.


Meu agradecimento à Salvador Dalí pela pintura.

Tempo de criança

Elas correm no tempo.

Tempo perdido


Wasting Time (Papiroflexia Time), upload feito originalmente por eℓ_rapsoda_mut.

Tempo de embarcar
Já navegar
Tempo de embarcou
Já navegou