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terça-feira, 4 de agosto de 2009

Fotografia

Profissionalismo é, sem dúvida, uma palavra que não pode andar junto de minhas fotografias. Mas gosto pela coisa eu tenho. Principalmete depois da invenção das máquinas fotográficas digitais e do Photoshop consegui melhorar muito na função de gerar magens que podem ser apreciadas, mesmo que eu seja o único apreciador do que faço. A cada incursão que faço podem surgir mais trezentas ou quinhentas fotos em meu HD, das quais eu escolho aquelas tocadas pela sorte para trabalhar. O olhar atento substituo pela quantidade de material e habilidade com editores de imagem.

Há quem diga que fotografia digital matou a arte fotográfica. Fotografar envolvia perícia, olhar acurado, cuidados na escolha do filme e na revelação. Pode ser que seja assim, a tecnologia matando a arte. Mas prefiro lembrar das palavras de Sebastião Salgado, que disse certa vez ser o fotógrafo formado por suas características intelectuais, formação humana. O que passa pela cabeça do fotógrafo na hora do clique define a arte, as escolhas sobre o que e como vai ser mostrado. Dessa forma a arte fotográfica não se resume a questões técnicas e a tecnologia democratizou mesmo a arte, ao contrário de matá-la. Não que todas as fotos, capturadas aos milhares nestes tempos, sejam de fato arte, mas os recursos são infinitamente mais disponíveis. É algo parecido com a dança. Qualquer um pode dançar, mas nem todos são Deborah Colker.

Como historiador acho tudo isto mais interessante ainda. Caso não ocorra nenhum cataclisma que ponha fim ao caminho tecnológico que desenvolvemos, impossibilitando às gerações futuras a observação deste mundo de imagens que produzimos diariamente, teremos referências visuais em quantidade sem precedentes na história humana. Se precisamos de imagens para compor a história do franciscanismo na colônia portuguesa na América esbarramos na pouquíssima quantidade de material disponível. Amanhã, será difícil escolher que material é mais relevante entre os milhares que existem.

Tanto discurso eu fiz simlesmente para postar umas imagens produzidas por mim. Pode ser que vocês, meu público, não gostem e critiquem o fato de eu não ser assim tão bom fotógrafo para expor ao desagrado meus leitores. Mas tive a delicadeza de escrever um texto na intenção de não tornar esta visita uma perda de tempo total.

As fotos que seguem fazem parte de uma mania recente, fotografar dias nublados e com chuva. Nada a ver com sentimento de tristeza ou visão lúgubre da existência (se é que algo existe). Apenas vontade de registrar o mundo em momentos não ensolarados, quando o céu é cinza e o verde fica mais vivo. O cheiro de terra molhada infelizmente não pode acompanhar as imagens, mas lembrem-se dele enquanto olham-nas. A chuva tem sua beleza.

P1050362

Piratininga, 25/07/2009.

SNC00055

Itacoatiara, 04/08/2009.

P1040783

Parque da Cidade, 12/06/2009.

P1040791 copy01

Parque da Cidade, 12/06/2009.

SNC00029 copy01

Parque da Cidade, 12/06/2009.

Ps. Uma correção é necessária. A primeira foto não é de minha autoria, foi clicada pela Bia, do Ponto-e-vírgula, e está em meu HD.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ainda os muros

condominio

Comuns em cidades medievais, os muros protegiam moradores contra ameaças externas em um mundo em que a violência era grande. Guardavam pessoas em quantidades de 5 a dez mil, com algumas exceções, no espaço de algum senhor.

Comuns em cidades contemporâneas, os muros protegem os espaços privados contra ameaças externas e olhares curiosos. Guardam quantidades imensas de pessoas, as vezes mais de um milhão, e colocam limites ao que é público.

...

Niterói é uma cidade atípica em seu estado e no Brasil. Está entre as melhores qualidades de vida do país e possui parte considerável de sua população enquadrada no que chamamos de classe média.

Como em muitas cidades, os muros estão presentes. Nem sempre separam o privado do público. Construídos ao redor de casas, sim, mas também feitos cercando quarteirões, ruas e tudo o mais que estiver dentro de seu perímetro. São condomínios tranformando em privado o que é do público, impedindo o acesso à ruas e praças. Apropriação indébita em nome da segurança de quem pode pagar por terra.

O público tem preço. Depois de anos de ocupação, os condomínios receberam proposta para comprar o que foi ocupado. Ao que parece a atual administração não tocou mais no assunto e também esqueceu do que foi tomado ao povo. O Ministério Público lembra.