terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Divina Comédia


Inferno

Quarto círculo.

Na chegada ao quarto círculo Dante avistou uma máquina, feita em metal, com janelas de vidro das quais saiam braços daqueles condenados. Para chegar à seu destino, este deveria ser o transporte utilizado. Mas antes de entrar, Dante esperou com aqueles que eternamente aguardam sua condução no local de embarque. Saramago explicou a Dante que estas almas são das pessoas que durante a vida, de alguma maneira, aguardaram pacientemente por serviços mal prestados. Entre estes tolerantes estava um senhor, Seu Jorge, que como todos, esperava. Começou uma conversa com Dante contando não entender sua situação, porque tanto sofrimento neste inferno já que durante a vida fora tão paciente. Dante ficou penalizado com tanta espera, já estava no ponto a mais de uma hora. Uma pessoa esboçou uma reclamação, Seu João prontamente retrucou, chamando o reclamante de chato e criador de caso. Alguns outros acompanharam Seu João fazendo troça com o pobre que ousou timidamente reclamar. Neste momento passou um ônibus, era a condução que deveria levar Seu João e todos os que o acompanharam reprimindo aquele que ousou não ter tanta boa vontade com a empresa responsável com este castigo infernal. Fizeram sinal, como quem chama o transporte, e este passou direto. É o castigo dos que são mais do que pacientes, dos que reprimem o descontentamento latente com maus serviços, contou o guia de nosso herói.


Um comentário:

Bia Loivos. disse...

Muito bom. Qual será o lugar dos serviços bancários na sua história? Rs...
Hoje fiquei 1h20min esperando a minha vez, mas consegui ser atendida. Só não sei se resolvi ou se criei mais problemas, porque saí de lá com mais um cartão de crédito, hahaha!
Mas o que queria registrar é que, enquanto aguardava, observei as pessoas antes de mim - queria saber por que elas estavam ali - e constatei que a maioria fora pedir empréstimo ao banco (que cilada!) e que nenhum deles era de primeira viagem (todos já estavam devendo ao Banco empréstimos anteriores e ainda queriam pegar mais um). Fica aí uma sugestão. Que tal falar das pessoas que estão sempre em dívida?
Beijos.