terça-feira, 19 de maio de 2009

Meio atrasado

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O tempo em nós.

Ando meio atrasado nestes tempos. Chego sempre atrás do tempo, que não se importa muito comigo. Segue em frente e cada vez mais fico distante do presente. No passado, sem sair de onde estou, quando apareço, já era. Então, tenho que correr.

É assim o tempo todo, correria. Ao longo do tempo, o tempo vem ficando mais escasso para a vida. Os relógios são boa representação disso. A alguns séculos tinham somente um ponteiro. Pra que contar mais que isso? A industrialização arrumou resposta para essa pergunta. O tempo domesticado produz mais, tempo é dinheiro. Desde então o homem vê-se preso as inúmeras obrigações cotidianas com hora marcada. Hora de acordar, tomar café, pegar ônibus (que nunca tem horário), etrar no trabalho, etc. O tempo tomou o lugar das tarefas como guia do dia.

A ordenação de afazeres, assim guiada, é social. Não escolho meu horário de trabalho e nem mesmo me sinto preso, apesar de por vezes oprimido. Por conta disso penso em atraso quando não cumpro algum tempo convencionado. Reproduzo a lógica por impossibilidade de agir diferente. Se por acaso resolver que devo trabalhar oito da noite não encontrarei alunos em sala. A convivência obriga a aceitação para que a vida em comunidade seja possível. Assim fomos criados, assim entendemos o mundo.

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Nós no tempo.

O tempo ainda é mestre de outra maneira. Temos dimensão temporal em nossas vidas. Pensamos em passado, presente e futuro. Analisamos e fazemos ligação entre três tempos. As tomadas de decisão geralmente são feitas a partir de experiências passadas, vividas ou não, e direcionam/almejam um futuro mais, ou menos distante. Mas, como tudo é presente, e é neste tempo que decisões são tomadas, passamos a eternidade (enquanto dure) decidindo. Ou seja, vivemos no presente, com a cabeça em outros tempos.

Como a vida é viva (pleonasticamente falando) e as coisas mudam sempre temos a possibilidade de, amanhã, discordarmos das atitudes que tomamos hoje. Mas então, hoje será o passado e como o tempo é inexorável só resta o amargo gosto da aceitação.

Mudanças e permanências.

Lidar com isso não é fácil. Conseguir entrosamento satisfatório entre os tempos que vivemos também não. Mas compreender que a vida tem tempo é passo importante. Entender que o tempo é atravessado por mudanças e permanências é o ganho. Se não podemos mudar as decisões no passado, que nos trouxeram ao presente que vivemos, podemos agir no presente para um futuro que está aberto.

3 comentários:

júlia vita disse...

Metade desse texto parece uma resposta ao meu outro post!

Bruno disse...

É verdade. Pra ser sincero, um dos fatores que motivou este post foi o seu post.

Flor D'Alma disse...

Desculpe estou um pouco atrasada, mas espero que ainda dê tempo... Citando Nando Reis, venho aqui pra comentar só agora, mesmo tendo lido esse post há mais tempo.
Concordo que o entendimento de que escolhas trazem mn=udanças e isso é da vida (não foi bem assim que vc disse, mas foi como entendi e como consigo me lembrar nesse momento), bem, concordo que entender isso é ganho e não perda. Se entedemos, não mais lamentamos o tempo e as escolhas passadas, mas vivemos o presente sabendo que temos o compromisso - com a vida- de sempre fazer novas escolhas. Se esse é o compromisso, qual o risco? O de errar. Mas se o futuro é aberto, o que é risco hj pode se converter em acerto amanhã. Mas não sabemos no agora. Complicado isso.